Comunicação | Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009 | 18:59
Tom Wolfe apresenta as verdadeiras mudanças de nossa época
Jornalista americano profere palestra daqui a pouco na Ufrgs
Fonte: Coletiva.net
Com a ironia e crítica que caracterizam seus livros e reportagens, o escritor e jornalista americano Tom Wolfe, 78 anos, apresentou na tarde desta segunda-feira, 16, um resumo da palestra que irá proferir hoje a partir das 19h30min, no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), no encontro de encerramento do Fronteiras do Pensamento de 2009. Esta é a primeira visita de Wolfe à capital gaúcha.
“Quando a gente convoca uma coletiva sempre se pergunta: ‘será que vai aparecer alguém’?”, disse Wolfe diante do grupo de cerca de 30 pessoas, a maioria delas com bloco e caneta nas mãos, fotógrafos e cinegrafistas que o aguardavam em um dos salões do Hotel Intercity Premium. A seguir, anunciou que adiantaria os principais trechos da palestra de hoje à noite, intitulada O espírito de nossa época. “Vou falar das grandes mudanças que ocorreram nos Estados Unidos mais ou menos desde os anos 2000.”
Mais do que alterações na economia, Wolfe anunciou “mudanças verdadeiras” que vieram de outras áreas. “Vocês já ouviram falar, por exemplo, na expressão revolução sexual, que agora se transformou em carnaval sexual”, iniciando uma série de alfinetadas. A mais contundente, no entanto, contempla um fenômeno que ele denomina como “Aristocracia do Gosto”. De acordo com o escritor, tal fenômeno remonta à França do Século 19, mas se acentuou nos Estados Unidos nos últimos 40 anos.
Os consumidores da Aristocracia do Gosto são pessoas com preferências mais refinadas na escolha de produtos culturais. Gostam de coisas que a maioria não consegue compreender e, por isto, tendem a se sentir superiores. “Por que James Joyce e Marcel Proust são tão renomados entre os intelectuais do Ocidente? Porque são autores difíceis de ler pelo populacho. Por isto são valorizados pela Aristocracia do Gosto.” Esta aristocracia terminou por abrir caminho aos “artistas sem mãos”. Para Wolfe, a arte moderna é uma combinação de falta de habilidade literária com falta de imaginação.
Wolfe também atacou a neurociência e a pesquisa genética, “que vê o ser humano como um cérebro comandado por um software. Você é o resultado de uma programação” e sua vida é como se fosse o negativo de um filme a ser revelado com o passar do tempo. Questionado sobre se considerar um pessimista, Wolfe disse que não: “Me considero um jornalista. A comédia humana jamais termina. Ela continua independentemente da idade em que você está”.
Ao lado de Gay Talese, Norman Mailer e Truman Capote, Wolfe é um dos fundadores e principais expoentes do Novo Jornalismo, gênero surgido na imprensa americana na década de 1960. Classificado como romance de não-ficção, a principal característica de Novo Jornalismo é combinar a narrativa jornalística com a literária. Wolfe avalia que o principal legado do gênero foi tornar a não-ficção a forma predominante de escrita, que terminou eclipsando o romance. “O romance se encaminha para uma situação semelhante à da poesia, que foi colocada num pedestal tão alto que ninguém vai lá em cima.” O pior legado do Novo Jornalismo foi que as pessoas passaram a escrever de forma muito subjetiva, em detrimento dos fatos.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Tom Wolfe: a verdade nua e crua
Discussão interessante
Fiquei curioso e cheio de vontade de assistir este filme, sobre a cobertura jornalística de operações policiais no Rio de Janeiro. O Globo (clique aqui) traz matéria interessante sobre o filme-documentário "Dançando com o diabo". O diretor sul-africano Jon Blair produziu outro filme em que mostra o dilema dos repórteres fotográficos na cobertura destes conflitos.
sábado, 14 de novembro de 2009
Virtual x Real
Nunca me ficou tão patente essa coisa do virtual e do real quanto o que me aconteceu na semana passada. Li num e-mail que recebi a notícia da morte, real, de um parceiro de trabalho que conheci há cinco anos virtualmente (por telefone, por indicação de um outro colega) e com quem realizei vários trabalhos trocando figurinhas (arquivos de imagem e considerações diversas) pela internet e pelo telefone.
Rimos juntos, fomos parceiros, produzimos diversos trabalhos. Sem jamais nos vermos tête-à-tête. Soube pela internet que ele morreu semana passada. Não tive condições de ir ao enterro, fiquei chateado.
Vivo numa capital de 350 mil habitantes, ainda provinciana em muitos aspectos. Pela internet soube sobre a doença que levou meu amigo embora cedo. Uma pena, pois li muitos comentários sobre o baita sujeito que ele era.
Vai com Deus Beto Eicke! As pessoas que conviveram contigo pesssoalmente tiveram a felicidade de tê-lo por perto. Eu, mesmo que virtualmente, posso dizer o mesmo.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Viciado em arame

Ao convidar para sua vernissage, Paulo conta sobre o velho vício de trançar arames que adquiriu nos camarins esperando antes de entrar em cena. A exposição de suas novas peças abre segunda-feira (9/11) no 'TU Mercado de Moda e Arte': Fractais Tridimensionais, em São Paulo.
"Seriam flashes de consciência ante a infinitude do universo, que nos reorientam sobre a relatividade da dimensão dos seres. À parte disso, como permite o espaço de um mercado de arte, vai rolar um camarim cênico com coleção de acessórios e objetos interativos. Amanda Acosta, Carol Bezerra e Zuzu Abu – divas amigas com quem dividi os palcos – farão suas aparições", conta o arteiro que já foi jornalista da editoria de Polícia do Diário Catarinense, nos idos de 1986.
Na época ainda se autointitulava Bordin. Grande figura.
"Vamos brindar!", convida ele.
No site do Paulo tem algum dos comerciais que ele gravou, com personagens impagáveis.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Não esqueci de passar por aqui...
“A liberdade apenas aumenta as chances das coisas melhorarem. Sem ela, não há chance alguma”, nos disse o escritor Albert Camus.
domingo, 13 de setembro de 2009
Essa foi no capricho
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." (Fernando Pessoa).
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Complemento
No pé de um e-mail que recebi hoje, um texto que acaba complementando o vídeo que postei ontem... Não sei o autor, mas assino embaixo
"Um velho estava cuidando de uma planta com todo o carinho.
Um jovem aproximou-se e perguntou:
- Qual planta é esta que o senhor está cuidando?
- É uma jabuticabeira, respondeu o senhor.
- Ela demora quanto tempo para dar frutos?
- Pelo menos uns quinze anos, informou o homem.
- E o senhor espera viver tanto tempo assim? indagou irônico o rapaz.
- Não, não creio que viva mais tempo, pois já estou no fim da minha jornada, disse o ancião.
- Então, que vantagem você leva com isso meu velho?
- Nenhuma, exceto a vantagem de saber que ninguém colheria jabuticabas, se todos pensassem como você."
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
Doação de livros para escola do Itacorubi
Minha irmã escreve pedindo e eu reproduzo com alegria, lembrando os leitores que livro é pra circular, não juntar poeira na casa da gente. Os alérgicos, além das crianças da escola, agradecem.
"Estou escrevendo para pedir a sua colaboração e de seus amigos, com a doação de livros usados de literatura, gibis, revistas, dentre outros, para compor a biblioteca da Escola Básica Municipal Vítor Miguel de Souza, no Itacorubi, onde trabalho. A escola está propondo a campanha para renovar o acervo e assim motivar ainda mais as nossas crianças e adolescentes à leitura.
Lembro que a escola é de ensino fundamental e trabalha com alunos de 1ª a 8ª série (6 a 15 anos)
Todos da comunidade escolar estão envolvidos na campanha, que ao final será comemorada com um evento literário.
Conto com a sua ajuda, se for possível e agradeço a atenção.
Um grande abraço"
MARÍLIA BARON
Fones da ESCOLA BÁSICA MUNICIPAL VITOR MIGUEL DE SOUZA:
(48) 3334-0031 - 3334-1043
sexta-feira, 17 de julho de 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
terça-feira, 30 de junho de 2009
Saber viver...
"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar. Hoje sei que isso tem nome… Auto-estima. Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades. Hoje sei que isso é… Autenticidade. Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de… Amadurecimento. Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo. Hoje sei que o nome disso é… Respeito. Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável … Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início, minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama… Amor-próprio. Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é… Simplicidade. Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos vezes. Hoje descobri a… Humildade. Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o Futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é… Plenitude. Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é…. SABER VIVER!"
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Analecto
"Ser simples é ser incrível", do Orkut.
"O urgente geralmente atenta contra o necessário", de Mao Tsé Tung.
"Quem mata o tempo não é assassino, é suicida", do Millôr Fernandes.
"Somos o que fazemos, mas somos - principalmente, o que fazemos para mudar o que somos", do Eduardo Galeano.
"Nada estabelece limites tão rígidos à liberdade de uma pessoa quanto a falta de dinheiro", de John Kennet Galbraith, ou seria de JFK?
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Um pitaco mais acadêmico sobre o diploma de Jornalismo
NOTÍCIA E VATAPÁ: UMA METÁFORA INDIGESTA
Os argumentos defendidos pelo ministro Gilmar Mendes e endossados com entusiasmo pelo diretor de redação da revista Época, Hélio Gurovitz, que se proclama um jornalista diplomado, mas apóia a decisão do STF, giram em torno da inutilidade do diploma para o exercício profissional. Da mesma forma que qualquer um pode fritar um ovo ou praticar um ensopado na cozinha, qualquer um pode escrever para jornal, expressar suas opiniões, ter sua palavra impressa. A diferença está na qualificação profissional. Escrever como profissional, no dia-a-dia das redações, no ritmo frenético que se impõe à cobertura permanente dos fatos, não apenas narrando-os, mas construindo uma narrativa racional e organizada deles, é algo bem diferente da contribuição esporádica de especialistas em outras áreas do conhecimento, como defende o diretor de Época.
E por que é diferente? Porque o exercício da profissão de jornalista se baseia não apenas em técnicas que se aprendem na escola, mas em conhecimentos teóricos. Hoje, Jornalismo é uma ciência que se estuda e se pesquisa nas Escolas de Comunicação. Uma linha teórica predominante é a dos Estudos Culturais em Comunicação, adotada em Escolas de Jornalismo dos Estados Unidos, do Canadá, da Austrália, da Inglaterra, entre outros países. Segundo esta abordagem, o universo da informação midiática não é um simples relato ou reflexo do que acontece no espaço público. Ao contrário, é uma narrativa construída, a partir de uma lógica simbólica, ou seja, é um discurso.
Entenda-se discurso no sentido que Foucault lhe dá: uma construção lingüística e social da realidade, uma forma de conhecimento, um saber construído. Da mesma maneira que outros profissionais de áreas humanas ou exatas da academia elaboram um discurso sobre um determinado saber – pode-se dizer que há um discurso da Matemática que envolve as construções teóricas sobre a disciplina produzidas ao longo do tempo - da mesma forma há um discurso sobre o Jornalismo, que se erigiu a partir da pesquisa sobre a prática, e que permite formular teorias sobre o que é notícia.
E isto explica porque especialistas de outras áreas não podem ser jornalistas. Eles aplicarão sobre a notícia um olhar construído em outra área do saber, um olhar específico. Abordarão o acontecimento a partir de um discurso histórico, geográfico, sociológico, mas não saberão perceber nele os elementos que o transformam em notícia. A notícia reelabora informações de outras áreas de conhecimento e as coloca ao alcance do leitor ou telespectador de forma clara, racional, compreensível. E o jornalista é o profissional a quem cabe traduzir, de forma pública, o saber alheio.
Uma simples análise de textos jornalísticos mostra como os eventos são representados, como personagens e relações sociais são referidos, e como estas narrativas agendam o pensamento público. Ao contrário de um bom vatapá, que nos dá prazer ao ingeri-lo, as notícias em geral são mais indigestas, porque nos fazem pensar sobre a nossa realidade, nos interpelam como cidadãos, reproduzem versões dominantes de conflitos políticos e interferem no nosso cotidiano. Se o cozinheiro usar errado o azeite de dendê ele faz o vatapá desandar. Se o jornalista errar na narrativa sobre a realidade ele pode mudar o mundo, para o bem ou para o mal.
CÉLIA LADEIRA
Jornalista e professora de Jornalismo da UnB
terça-feira, 23 de junho de 2009
Aos arautos da ignorância, vai o recado
Reflexões de um aprendiz de cozinheiro
Nesses 55 anos de estrada, confesso que vivi. Profissional e afetivamente. Mas que me perdoe Pablo Neruda, nunca aprendi a cozinhar. Sei apenas de cozinha de jornal. Aquele trivial simples, como fazer títulos e linhas de apoio, legenda e texto-legenda, chamada, macaca e outros adereços. Aprendi a botar tempero na matéria alheia, numa época em que o copidesque do Jornal do Brasil estava repleto de gurmês de fino trato. E eu, apenas um aprendiz de cozinheiro.
Nesses 35 anos de janela, compreendi que a paisagem nos oferece várias lições e que nos cabe assimilá-las ou não. A universidade se apresenta como um balcão de ofertas. Uma oferta democrática porque permite a aprendizes conhecer, experimentar, refletir, enfim preparar receitas que, espera-se, algum dia serão destinadas à sociedade. No espaço da sala de aula pode-se sim ensinar técnicas jornalísticas. Se não acreditasse nisso, preferiria pedir demissão.
Quando um poder supremo desmerece uma profissão desqualifica também sua formação. Ignora o longo tempo de dedicação de jovens que buscam nos bancos escolares ascensão social e a perspectiva de encontrar um lugar digno na sociedade, sem depender de favores, práticas de nepotismo ou arranjos partidários.
Talvez seja essa possibilidade que incomode tanto. Silenciosamente, a universidade pode contribuir para dotar cidadãos das mais variadas origens sociais de uma reflexão crítica, sem qual ele não exerceria qualquer profissão de nível superior na sua plenitude.
Como repórter, aprendi que a maioria dos jornalistas não costuma ser convidada para banquetes e aqueles que o são correm o risco de pagar uma conta alta na carreira. Certa vez, ao entrevistar um empresário durante um coquetel para o qual eu não fora convidado, arranquei-lhe algumas respostas enquanto ele degustava tranquilamente um camarão, sem ao menos ter a educação de oferecer ao entrevistador. Interpretei aquela atitude como um recado, que marcava a distinção do lugar social entre os dois personagens.
Os filmes de Buñuel ensinam como as refeições representam um lugar de exclusão e inclusão na sociedade burguesa. A constatação nos ajuda a entender a metáfora do ministro onipotente. Novamente a demarcação entre os que sentam à mesa do banquete e os que preparam a comida. Sem diploma, e portanto sem os benefícios econômicos que dele advêm, o que se deseja é que fiquemos sempre condenados a preparar a comida alheia, especialmente a dos comensais de banquetes.
Aos jovens cozinheiros, candidatos a chefes de cozinha, fica a advertência. Não confundam o lugar do jornalista com os dos representantes da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), principal articuladora do lobby que derrubou a obrigatoriedade do diploma. Ho Chi Minh – cozinheiro da colonial Marinha francesa –, nos mostrou que é possível um pequeno Davi de olhos puxados sair vitorioso na luta contra Golias. A nossa luta é a do feijão com arroz contra o supreme de frango.
João Batista de Abreu
Jornalista com diploma
Dá uma olhada!
Quem sou eu
- Evandro Baron
- Jornalista, com atuação na área de comunicação corporativa